Aditivos nos alimentos de Gatos
A pele, ou tegumentro, representa até 16% do peso vivo do animal.
É um dos órgãos de maior tamanho proporcional, exigindo cuidados nutricionais.
Você fica incomodado quando sabe que um determinado produto possui
aditivos como acidulantes, antioxidantes ou aromatizantes? Pois é assim,
de forma negativa, que se comporta o consumidor diante da presença
destes microingredientes encontrados sejam em alimentos para animais ou
mesmo para consumo humano. E isso não se limita a produtos para cães e
gatos.
Há um consenso, entre técnicos do setor, nutricionistas e
especialistas em marketing, que acreditam que a palavra aditivo é
confundida com substâncias negativas e tem uma imagem nociva junto aos
consumidores. "Isso acontece porque falta esclarecer ao consumidor os
motivos do uso dos aditivos e quais são suas ações", lembra o
nutricionista Walter de Albuquerque Araújo.
Microingredientes - A adição de substâncias orgânicas ou
inorgância aos alimentos de cães e gatos - assim como nos demais
alimentos fornecidos aos animais de criação está prevista na legislação
brasileira. A Lei 6.198/74 e seu regulamento - decreto 76.986/76, artigo
4°' item VII -define "aditivo" como substância adicionada ao alimento,
com a finalidade de conservar, intensificar ou modificar suas
propriedades, desde que não prejudique o seu valor nutritivo. Estão
inclusos nesta categoria os corantes, conservadores, antioxidantes e
outros elementos.
Polêmica à parte, o Sindirações e a Anfal - por meio de sua comissão
de tecnologia - decidiu sair na frente e alterar a conceituação do termo
aditivo em trabalho conjunto com o CBNA - Colégio Brasileiro de Nutrição
Animal e o Ministério da Agricultura. A proposta da comissão é mudar o
nome para "microingredientes de alimentação" dando nova redação ao
termo: "micro- ingredientes de alimentação são constituídos por toda
substância ou mistura de substâncias intencionalmente adicionadas aos
alimentos com a finalidade de conservar, intensificar ou modificar suas
propriedades desejáveis e suprimir as propriedades indesejáveis e que
sejam utilizados sob determinadas normas".
Walter de Araújo explica que a proposta também classifica os
microingredientes em 13 grupos com definições claras quanto à sua
natureza e função científica na nutrição. Estes grupos estão divididos
em três classes por seu modo de ação específico ou característica
funcional: Grupo A -Pró-nutrientes; Grupo B - Coadjuvantes de
Elaboração; e Grupo C - Profiláticos. No momento, aguarda-se apenas a
publicação oficial da alteração pelo Ministério da Agricultura.
Quais seriam, então, os aditivos ou microingredientes de alimentação
mais usados na produção de alimentos para cães e gatos? São sete as
principais substâncias incorporadas aos alimentos, resumidas nos tópicos
a seguir.
Acidificantes - são ácidos orgânicos ou inorgânicos
adicionados à dieta, visando reduzir o pH do trato digestivo com o
objetivo de facilitar a digestão e controlar a flora microbiana.
Detalhe: nos alimentos dos gatos, os acidificantes exercem um efeito
realçador da palatabilidade e ajudam a prevenir a formação de cálculos (
de pH alcalino) no trato urinário inferior de felinos. Estes animais por
características da espécie têm predileção pelo sabor picante dos seus
alimentos. É bom saber que os gatos são intolerantes ao ácido benzóico,
muito empregado como conservante de alimentos para humanos: sua toxidez
para os gatos está relacionada à incapacidade da espécie para
detoxicação rápida dos compostos fenóis. O ácido benzóico é uma
substância fenólica como é também o ácido acetil salicílico (Aspirina,
AS). Estes aditivos não devem ser usados nos alimentos dos gatos.
Exemplo: Ácido Fosfórico.
Adsorventes - são substâncias que não são absorvidas no trato
gastrintestinal e por suas propriedades ligam-se a substâncias nocivas
como as micotoxinas de modo a transportá-las total ou parcialmente para
fora do trato digestivo e, consequentemente, impedir que ocorra a
intoxicação. Exemplo: Aluminosilicatos (Bentonita e Zeolita).
Antifúngicos - são substâncias utilizadas com a finalidade de
prevenir ou eliminar a presença de fungos (mofo, bolores) em
matérias-primas e alimentos destinados à nutrição animal. Quando o mofo
se desenvolve no alimento são produzidas micotoxinas. As micotoxinas são
substâncias nocivas que intoxicam tanto os animais como a espécie
humana. Por outro lado, o desenvolvimento de mofo causa perdas no valor
nutritivo do alimento, mau odor e alteração na sua palatabilidade.
Exemplo: Ácido Propiônico e seus sais.
Antioxidantes - são substâncias que visam evitar a
auto-oxidação dos alimentos, conservando suas qualidades. A oxidação de
gorduras e óleos provoca o desenvolvimento de odor e paladar
desagradáveis e toma os alimentos menos nutritivos diminuindo a sua
aceitação até o ponto de ser recusados pelos animais. Além das gorduras
e óleos, vários outros ingredientes da alimentação, como pigmentos e
vitaminas, são vulneráveis à oxidação quando em contato com o ar
atmosférico. Exemplos: B.H. T e Etoxiquin.
Aromatizantes e palatabilizantes - a maior parte dos
aromatizantes também age como palatabilizantes, sendo considerados item
único na composição dos alimentos. Os aromatizantes são substâncias que
conferem aroma ao produto destinado à alimentação, melhorando a sua
aceitação e, consquentemente, estimulando o seu consumo pelo animal.
Provocam a secreção das glândulas salivares e de suco gástrico,
favorecendo o melhor aproveitamento do alimento pelo organismo. Os
palatabilizantes são substâncias que melhoram o paladar dos produtos
destinados à alimentação animal. Exemplos: alho, bacon, carne, frango,
peixe, fígado etc.
Corantes - são substâncias que conferem ou intensificam a cor
dos produtos destinados à alimentação animal. Podem ser naturais,
artificiais e inorgânicos. Exemplos: açafrão, urucum, caramelo etc.
Probióticos - são várias espécies de microorganismos que agem
como auxiliares na recomposição da flora microbiana intestinal,
diminuindo a concorrência dos microorganismos indesejáveis e dos
causadores de doenças.
Exemplos: Saccharomyces cerivisae, Lactobacillos acidophilus e Streptococcus faecium.
Os principais aditivos
Acidificantes: Melhor digestão
Adsorventes: Impedir intoxicação
Antifúngicos: Não aos fungos
Antioxidantes: Melhor qualidade
Aromatizantes: Melhor aroma e paladar
Corantes: Cor natural Probióticos: Recomposição da flora
Autoria
Revista Alimentação Animal - Ano 5 Nº 17 - Janeiro-Março de 2000
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